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Coronavírus - O que fazer e o que se sabe até agora

O vírus tem ALTA TRANSMISSIBILIDADE e provoca uma síndrome respiratória aguda que varia de casos leves – cerca de 80% – a casos muito graves com insuficiência respiratória – entre 5%e 10% dos casos. Sua letalidade varia, principalmente, conforme a faixa etária e condições clínicas associadas.


A TRANSMISSÃO do vírus ocorre principalmente com o contato de gotículas respiratórias oriundas de pacientes doentes e sintomáticos. A transmissão do vírus por indivíduos assintomáticos segue em controvérsia até o presente momento.


O PERÍODO DE INCUBAÇÃO é estimado em 14 dias, com alguns relatos de casos com menos dias de incubação.


Os principais SINAIS E SINTOMAS do paciente com a doença COVID-19 são os seguintes:

  • Febre (>37,8ºC);

  • Tosse;

  • Dispneia (falta de ar);

  • Mialgia (dor muscular) e fadiga;

  • Sintomas respiratórios superiores (coriza, dor de garganta);

  • Sintomas gastrointestinais, como diarreia (mais raros).


O QUADRO CLÍNICO, típico de uma Síndrome Gripal, pode variar seus sintomas desde uma apresentação leve e assintomática (não se sabe a frequência), principalmente em jovens adultos e crianças, até uma apresentação grave, incluindo choque séptico (infecção grave localizada ou em todo o organismo) e falência respiratória.


Vale ressaltar que FEBRE pode não estar presente em alguns casos excepcionais, como crianças, idosos, imunossuprimidos ou pessoas que utilizaram antitérmicos. A febre pode ser um sintoma de alerta se for persistente ou aumento da febre por mais de 3 dias ou retorno após 48 horas de período afebril (sem febre).


A maior parte dos casos em que ocorreu óbito foi em pacientes com alguma COMORBIDADE pré-existente. Quais são estas comorbidades:

  • 10,5% doença cardiovascular;

  • 7,3% diabetes;

  • 6,3% doença respiratória crônica;

  • 6% hipertensão;

  • 5,6% câncer e/ou idosos.


As principais comobirdades são:

  • Doenças cardíacas crônicas: doença cardíaca congênita, insuficiência cardíaca mal controlada e refratária, doença cardíaca isquêmica (infarto) descompensada.

  • Doenças respiratórias crônicas: DPOC (Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica) e asma mal controlados, doenças pulmonares intersticiais com complicações, fibrose cística com infecções recorrentes, displasia broncopulmonar com complicações, crianças com doença pulmonar crônica da prematuridade.

  • Doenças renais crônicas: em estágio avançado (graus 3,4 e 5) e pacientes em diálise.

  • Imunossupressos: transplantados de órgãos sólidos e de medula óssea, imunossupressão por doenças e/ou medicamentos (em vigência de quimioterapia/radioterapia, entre outros medicamentos).

  • Portadores de doenças cromossômicas e com estados de fragilidade imunológica (ex.: Síndrome de Down).

  • Diabetes.

  • Gestantes sintomáticas com suspeita de síndrome gripal COVID-19.


A TAXA DE LETALIDADE está em torno de 3,8% na China, porém o valor varia conforme o país. Estudos demonstram que, epidemiologicamente, homens entre 41 e 58 anos representam a grande maioria dos casos de pacientes confirmados, sendo febre e tosse os sintomas mais presentes.


As alterações em EXAMES COMPLEMENTARES mais comuns são infiltrados bilaterais nos exames de imagem de tórax (RX de Tórax) e linfopenia (diminuição dos linfócitos) no hemograma. A doença apresenta fundamentalmente complicações respiratórias: pneumonia e Síndrome da Angústia Respiratória Aguda – SARA.


O DIAGNÓSTICO LABORATORIAL é realizado por meio das técnicas de transcriptasereversa Polymerase Chain Reaction (RT-PCR), em tempo real e sequenciamento parcial ou total do genoma viral. Na fase atual de mitigação da epidemia, o diagnóstico etiológico só será realizado em casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave, junto a serviços de urgência/emergência ou hospitalares.


O manejo clínico da SÍNDROME GRIPAL difere frente a gravidade dos casos. Para casos leves, inclui medidas de suporte e conforto, isolamento domiciliar e monitoramento até alta do isolamento. Para casos graves, o encaminhamento e transporte a centros de referência ou serviço de urgência/emergência ou hospitalares. A estratificação de intensidade da síndrome gripal é a ferramenta primordial para definir a conduta correta para cada caso, seja para manter o paciente em casa ou para encaminhá-lo aos centros de referência, urgência/emergência ou hospitais. Confie na sua avaliação médica.


Dada a letalidade muito mais elevada da COVID-19 entre os idosos (pessoas com 60 anos ou mais), deve-se priorizá-los para atendimento. Além deles, pessoas com doença crônica, gestantes e puérperas devem ter atendimento priorizado. Gestantes e puérperas não tem risco elevado para COVID-19, mas apresentam maior risco de gravidade se infectadas por Influenza.

Pessoas com suspeita da doença e sem sinais de gravidade DEVERÃO FICAR ISOLADAS. Se em casa, separe um quarto que deverá ficar com as portas fechadas a maior parte do tempo, porém com janelas abertas e ar condicionado desligado. Mesmo casos de menor gravidade exigem que haja um acompanhante da pessoa doente que possa permanecer em tempo integral com a pessoa já que não se pode descartar a possibilidade de piora do quadro, e essa pessoa terá papel fundamental para acionar o serviço de urgência, caso necessário. Dormir em cama separada (exceção: mães que estão amamentando devem continuar amamentando com o uso de máscara e medidas de higiene, como a lavagem constante de mãos). Limitar a movimentação do paciente pela casa. Locais da casa com compartilhamento (como cozinha, banheiro etc.) devem estar bem ventilados. Utilização de máscara cirúrgica. Em idas ao banheiro ou outro ambiente obrigatório, o doente deve usar obrigatoriamente máscara. Não receber visita e só sairá de casa em casos de emergência. Caso necessário, sair com máscara e evitar multidões, preferindo transportes individuais ou a pé, sempre que possível.


Se for recomendado o uso de MÁSCARAS CIRÚRGICAS, siga as orientações abaixo:

  • Coloque a máscara com cuidado para cobrir a boca e o nariz e amarre com segurança para minimizar as lacunas entre o rosto e a máscara;

  • Enquanto estiver utilizando a máscara, evite tocá-la;

  • Remova a máscara usando técnica apropriada (ou seja, não toque na frente, mas remova o laço ou nó da parte posterior);

  • Após a remoção, ou sempre que tocar em uma máscara usada, higienize as mãos com água e sabão ou álcool gel, se visivelmente suja;

  • Substitua a máscara por uma nova máscara limpa e seca assim que estiver úmida ou danificada;

  • Não reutilize máscaras descartáveis;

  • Descarte em local apropriado as máscaras após cada uso;


O que é considerado CONTATO PRÓXIMO?

  • Uma pessoa que teve contato físico direto com um caso de COVID-19 (por exemplo, apertando as mãos);

  • Uma pessoa que tenha contato direto desprotegido com secreções infecciosas de um caso de COVID-19 (por exemplo, sendo tossida, tocando tecidos de papel usados com a mão nua);

  • Uma pessoa que teve contato frente a frente com um caso COVID-19 por 15 minutos ou mais e a uma distância inferior a 2 metros;

  • Uma pessoa que esteve em um ambiente fechado (por exemplo, sala de aula, sala de reunião, sala de espera do hospital etc.) com um caso COVID-19 por 15 minutos ou mais e a uma distância inferior a 2 metros;

  • Um profissional de saúde ou outra pessoa que cuida diretamente de um caso COVID-19 ou trabalhadores de laboratório que manipulam amostras de um caso COVID-19 sem equipamento de proteção individual recomendado (EPI) ou com uma possível violação do EPI;

  • Um passageiro de uma aeronave sentado no raio de dois assentos (em qualquer direção) de um caso confirmado de COVID-19, seus acompanhantes ou cuidadores e os tripulantes que trabalharam na seção da aeronave em que o caso estava sentado.

  • Contato domiciliar é definido como uma pessoa que vive na mesma casa/ambiente que um caso confirmado de COVID-19. Devem ser considerados os residentes da mesma casa, colegas de dormitório, creche, alojamento, etc. A avaliação do grau de exposição do contato deve ser individualizada, considerando o ambiente e o tempo de exposição.


O TRATAMENTO dos casos leves devem ser manejados com medidas não-farmacológicas como repouso, hidratação, alimentação adequada, além de analgésicos e anti-térmicos e isolamento domiciliar por 14 dias a contar da data de início dos sintomas. O ideal é que haja comunicação plena com um profissional de saúde durante todo o cuidado doméstico do paciente até a o fim do período de isolamento. A revisão dos sintomas e o seguimento da evolução do quadro devem ser realizados por um profissional de saúde a cada 48 horas via telefone.


Por fim, o mais importante, as medidas de PREVENÇÃO:

  • Realizar lavagem frequente das mãos, especialmente após contato direto com pessoas doentes ou com o meio ambiente;

  • Utilizar lenço descartável para higiene nasal;

  • Cobrir nariz e boca quando espirrar ou tossir;

  • Evitar tocar mucosas de olhos, nariz e boca;

  • Higienizar as mãos após tossir ou espirrar;

  • Não compartilhar objetos de uso pessoal, como talheres, pratos, copos ou garrafas;

  • Manter os ambientes bem ventilados;

  • Evitar contato com pessoas que apresentem sinais ou sintomas da doença.


Pessoas sem sintomas não necessitam usar máscaras em ambientes públicos ou em casa. Siga todas as orientações dos órgãos competentes!


FONTE: PROTOCOLO DE MANEJO CLÍNICO DO NOVO CORONAVÍRUS (COVID-19) NA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE – Março 2020.

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