Entre Espelhos e Cisnes: A Ciência, a Vida e a Fragilidade Humana
- Dr. Eduardo Arantes

- 22 de set.
- 2 min de leitura
Leio muito, pesquiso bastante e as ideias surgem a todo momento. Este é artigo é sobre Saúde Mental, mas poderia ser muitas coisas...
A ciência não finaliza. Ela é, por natureza, um processo contínuo, um movimento que se renova a cada descoberta, a cada dúvida. No entanto, a práxis exige decisões imediatas. O médico, o gestor, o pesquisador — todos precisam agir, mesmo quando o saber ainda está em construção. É nesse espaço entre o axioma e a incerteza que se desenha a complexidade da vida humana.
O Canto do Cisne e a Urgência da Decisão
O “canto do cisne” é uma metáfora para o último ato, o momento derradeiro antes da morte. Na ciência, esse momento raramente chega. O conhecimento se transforma, se robustece, se engrandece, mas nunca se encerra. Ainda assim, a vida exige respostas. A medicina, por exemplo, vive o dilema entre instrução médica e formação médica — entre o saber técnico e a capacidade de compreender o humano em sua totalidade.
Processos, Resultados e Pessoas
A Academia Mineira dos Curiosos de Natureza talvez represente esse espírito inquieto: o desejo de entender, de ir além da superfície. Mas o conhecimento não é neutro. Ele envolve processos, resultados e, sobretudo, pessoas. E pessoas são frágeis, plásticas, adaptáveis. Quanto mais plásticos formos, maior nossa probabilidade de sobreviver — não apenas biologicamente, mas emocionalmente, socialmente.
Espelhos, Proselitismo e Ensimesmamento
Entrar no espelho é confrontar-se com o próprio reflexo. É reconhecer o proselitismo das ideias que tentamos impor e o ensimesmamento que nos impede de ouvir. A ciência, quando se fecha em si mesma, perde sua potência transformadora. Quando se abre ao diálogo, à dúvida, ao erro — ela floresce.
Alta Vulnerabilidade e Fatores de Risco Criados
Vivemos em um mundo de alta vulnerabilidade. Muitas vezes, os fatores de risco são criados por nós mesmos — por decisões precipitadas, por legislações que não acompanham a realidade, por modelos que não contemplam a diversidade humana. Ir além, ou antes, da legislação, é pensar com responsabilidade e coragem.
RA e RE: Confirmar e Corrigir
Na prática clínica, na pesquisa, na gestão, vivemos entre o RA (confirmar) e o RE (corrigir). Confirmamos hipóteses, corrigimos rumos. Mas também precisamos confirmar afetos, corrigir injustiças. A ciência não é apenas técnica — é também ética.
Cabelo Piscina: Tá Cheio, Mas Dá Pra Ver o Fundo
Essa imagem curiosa — o “cabelo piscina” — talvez seja a melhor metáfora para o momento atual. Estamos cheios de dados, de informações, de protocolos. Mas ainda conseguimos ver o fundo: a essência, a dúvida, o humano.
E é nesse fundo que reside o desafio do equilíbrio emocional.




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