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PcD: O Desafio da Inclusão Plena

As Pessoas com Deficiência (PcD) representam 24% da população brasileira, o que equivale a mais de 9,3 milhões de pessoas no estado de São Paulo e cerca de 2,7 milhões na capital paulista. Esses números revelam não apenas a magnitude dessa população, mas também a urgência de políticas públicas e práticas sociais que promovam equidade, e não apenas igualdade.


Direitos e Legislação: Muito Além da Cota

O Brasil ratificou, em 2006, a Convenção Internacional sobre os Direitos da Pessoa com Deficiência, conferindo-lhe status constitucional. A Lei Brasileira de Inclusão (LBI) reforça o direito à reabilitação integral — saúde, social e vocacional — e à acessibilidade plena, que deve ser garantida em seis dimensões:

  • Arquitetônica

  • Comunicacional

  • Metodológica

  • Instrumental

  • Programática

  • Atitudinal


Apesar disso, o prazo legal para adaptações nas empresas venceu em 2008, e muitas ainda não cumprem os requisitos mínimos. O custo médio de adaptação é de apenas 1% do valor da obra, o que torna a falta de acessibilidade uma questão de prioridade, não de viabilidade.


Trabalho e Oportunidade: Entre a Lei e a Realidade

lei de cotas surgiu com foco em reabilitados e empresas com 20 ou mais funcionários. Na indústria paulista, existem 91 mil postos de trabalho reservados para PcD, mas apenas 46 mil estão ocupados. No Movimento Nacional pela Inclusão (MNM), 70% dos trabalhadores PcD conseguiram seu primeiro emprego formal (CLT) por meio dessas iniciativas.


Contudo, ainda há barreiras invisíveis: chefias e supervisões raramente são adaptadas para PcDs, e o preconceito atitudinal persiste. A inclusão exige mais do que vagas — exige mudança de cultura.


Educação e Aprendizagem: Sem Limite de Tempo

Para a PcD, não deve haver limite de tempo para a aprendizagem. A educação inclusiva precisa respeitar ritmos, potencialidades e oferecer discriminação positiva — ações afirmativas que garantam igualdade de oportunidades frente às iniquidades históricas.


Além disso, é essencial reconhecer a alta habilidade ou superdotação entre PcDs, muitas vezes negligenciada por estereótipos e falta de diagnóstico adequado.


Nada Sobre Nós, Sem Nós

A frase “Nada sobre nós, sem nós” sintetiza o princípio da participação ativa das PcDs na construção de políticas, práticas e decisões que lhes dizem respeito. O proselitismo — falar sobre sem ouvir — e o ensimesmamento institucional precisam dar lugar à escuta, à representatividade e à coautoria.


Assistência e Proteção Social

Benefício de Prestação Continuada (BPC) atende mais de 1,9 milhão de pessoas, mas ainda enfrenta desafios burocráticos e falta de integração com políticas de empregabilidade. O dilema entre o direito à vida (art. 1º) e o direito ao trabalho (art. 8º) precisa ser resolvido com políticas que não penalizem quem busca autonomia.

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