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Fibromialgia e Outras Síndromes: Agora sou PcD?

A recente publicação da Lei nº 15.176/2025, que equipara pessoas com Síndrome de Fibromialgia, Síndrome de Fadiga Crônica, Síndrome Complexa de Dor Regional e outras condições correlatas, como Pessoa Com Deficiência (PcD).

A equiparação da pessoa acometida pelas doenças de que trata o art. 1º desta Lei à pessoa com deficiência fica condicionada à realização de avaliação biopsicossocial por equipe multiprofissional e interdisciplinar que considere os impedimentos nas funções e nas estruturas do corpo, os fatores socioambientais, psicológicos e pessoais, a limitação no desempenho de atividades e a restrição de participação na sociedade, nos termos do art. 2º da Lei nº 13.146, de 6 de julho de 2015 (Estatuto da Pessoa com Deficiência).”


A fibromialgia, embora seja uma condição crônica, real e muitas vezes incapacitante em momentos específicos, exige um acompanhamento e manejo multidisciplinar. Ela não se caracteriza por apresentar danos estruturais permanentes, não está associada a lesões corporais físicas, psíquicas ou perda funcional objetiva e apresenta evolução com flutuação dos sintomas.


A Lei nº 15.176/2025 não determina o enquadramento automático da fibromialgia como deficiência, sendo indispensável a avaliação biopsicossocial por equipe multiprofissional e interdisciplinar.

 

VAMOS CONHECER A DOENÇA

A Síndrome de Fibromialgia se manifesta frequentemente por dores musculares e cansaço. O nome FIBROMIALGIA significa dores nos músculos e tecidos conectivos fibrosos (ligamentos e tendões). Esta condição é considerada uma síndrome porque abrange um conjunto de sinais e sintomas que podem ocorrer simultaneamente em diferentes doenças. OS SINAIS se referem aos achados físicos que o médico encontra quando examina o paciente, enquanto os SINTOMAS se relacionam às queixas relatadas durante a entrevista. Fibromialgia é frequentemente confundida e pouco entendida já que vários de seus sintomas podem ser encontrados em outras doenças.


O termo fibrosite foi usado para descrever esta mesma condição. Itis significa inflamação – um processo que pode desencadear dor, calor, inchaço, vermelhidão e rigidez. Com o tempo, descobriram que a inflamação não é um fator importante nessa condição, e o termo fibromialgia tornou-se mais correto e substituiu o velho termo fibrosite.

Fibromialgia afeta principalmente os músculos e seus locais de fixação nos ossos. Embora se manifeste como uma dor articular, ela não é inflamatória (artrite) e não causa deformidade nas juntas. Fibromialgia é descrita como uma forma de reumatismo dos tecidos moles ou muscular. A palavra reumatismo se refere à dor e rigidez associadas às juntas, músculos e ossos.


A síndrome da fibromialgia não apresenta alterações laboratoriais. Por isso, seu diagnóstico depende principalmente das queixas ou sintomas que o paciente relata. Algumas pessoas podem apresentar dois ou mais tipos diferentes ao mesmo tempo.

Durante os últimos anos, entretanto, a fibromialgia tem sido melhor definida através de estudos estabelecendo regras para seu diagnóstico. Esses estudos demonstraram claramente que os sintomas comuns específicos presentes em pessoas com fibromialgia são únicos para essa doença, embora eles também possam estar presentes em outras condições crônicas. Esses aspectos separam a fibromialgia das outras condições crônicas que se apresentam com dores ósseas e musculares crônicas.

 

SINTOMAS E SINAIS

Dor

A dor é o sintoma mais importante na fibromialgia. Ela geralmente começa em todo o corpo, embora possa iniciar em uma área específica, como pescoço ou ombros, e se tornar generalizada com o tempo.


A dor na fibromialgia é uma dor difusa, com várias áreas dolorosas. Geralmente, é descrita como profunda e crônica, podendo variar de moderada a intensa e manifesta-se como ardência, incômodo, rigidez e fisgadas.


Essa dor pode ser influenciada por fatores como:

  • Estresse

  • Mudanças no clima

  • Atividade física

  • Sono

As dores são sentidas nos músculos e nas áreas onde os músculos se fixam aos ossos (ligamentos e tendões). Para algumas pessoas com fibromialgia, a dor pode ser severa.


Pontos Dolorosos

Embora o exame físico geral seja normalmente normal e essas pessoas pareçam saudáveis, um exame cuidadoso pode revelar a presença de dor em áreas específicas.

A presença do padrão dos pontos dolorosos é essencial para o diagnóstico de fibromialgia ou osteopatia difusa.


Nem todos os médicos estão familiarizados com essa síndrome; os reumatologistas (especialistas em doenças reumáticas) são os mais indicados para identificar esses pontos dolorosos e relacioná-los ao diagnóstico, mas como sempre reforço, procure seu clínico ou médico do trabalho de confiança.


Distribuição da Dor

As áreas doloridas na fibromialgia são semelhantes às dores musculares causadas por tensão muscular ou inflamação articular.

  • Os dois lados do corpo apresentam os mesmos pontos sensíveis.

  • A pressão sobre esses locais provoca dor intensa.

  • As dores podem ser tão intensas que interferem nas atividades diárias e podem causar incapacidade.

 

FADIGA E DISTÚRBIOS DO SONO

  • Cerca de 90% das pessoas com fibromialgia sentem fadiga moderada a severa.

  • perda de energia, diminuição da resistência ao esforço e sensação semelhante à de uma gripe forte ou privação de sono.

  • Em alguns casos, a fadiga é mais incapacitante que a própria dor.


A fadiga pode ser semelhante àquela descrita na Síndrome da Fadiga Crônica (SFC).Algumas pessoas com fibromialgia apresentam sintomas que se sobrepõem aos da SFC e vice-versa. Por vezes, um médico pode dar o diagnóstico de fibromialgia enquanto outro pode chamar a mesma condição de SFC.


Distúrbios do Sono

Muitas pessoas com fibromialgia experimentam um distúrbio do sono, onde elas não acordam aliviadas, sentindo-se cansadas. Embora você possa ter a sensação de ter dormido sem grandes dificuldades, o estágio de sono profundo pode ser interrompido. Você pode dormir superficialmente e acordar durante a noite.


Outros distúrbios do sono, incluindo: apneia, mioclonia e síndrome das pernas inquietas são também comuns. Pesquisas têm mostrado que uma ruptura do sono profundo altera muitas funções do organismo, como a percepção da dor.


Sintomas do Sistema Nervoso

Mudanças no humor e na maneira de pensar são comuns na fibromialgia. Muitos indivíduos sentem-se desanimados, embora apenas 25% estejam verdadeiramente deprimidos. Algumas pessoas também manifestam ansiedade.


Por esse motivo, existem pesquisadores que acreditam haver relação entre fibromialgia e algumas formas de depressão e ansiedade crônicas.


É importante lembrar que doenças crônicas (como a própria fibromialgia) também podem ser responsáveis por sintomas depressivos ou dificuldades para amenizar seus sintomas.


Pessoas com fibromialgia podem referir:

  • Dificuldade em se concentrar

  • Dificuldade em executar tarefas comuns


Não há evidências científicas de problemas sérios com o decorrer do tempo. Problemas semelhantes são também observados em pessoas com:

  • Alterações do humor

  • Distúrbios do sono

  • Outras doenças crônicas


Outros Sintomas Neurológicos

Algumas pessoas com fibromialgia podem experimentar:

  • Dormência e formigamento nas mãos, braços, pés, pernas

  • Fraqueza nas sensações dos membros inferiores

  • Sensação das pernas pesadas

  • Dores nos músculos faciais

  • Espasmos musculares

  • Tremores finos nas mãos

  • Zumbidos nos ouvidos (tinnitus)

  • Visão turva (dificuldade para focar)

  • Fotofobia (sensibilidade à luz)

  • Fonofobia (sensibilidade a ruídos altos)


Por isso pessoas com fibromialgia frequentemente se submetem as diferentes exames e pesquisa têm mostrado que os resultados desses testes são normais.


Outros Condições Clínicas

  • Cefaleias, especialmente tensão e enxaquecas, ocorrem na fibromialgia.

  • Distúrbios intestinais, como a síndrome do cólon irritável, são também comuns.

  • Irregularidades menstruais são comuns em mulheres com fibromialgia.

  • Alterações da circulação sanguínea periférica, como mudanças temporárias na cor das mãos e pés quando expostos ao frio, e mudanças temporárias de temperatura extremas.

 

COMO DIAGNOSTICAR A FIBROMIALGIA

O diagnóstico se baseia nas queixas de dores difusas associadas a sensibilidade aumentada nas localizações específicas. não há exames de laboratório ou de imagem que permitam diagnosticar a doença. Um importante diagnóstico diferencial é o hipotireoidismo.

 

O QUE CAUSA OU DESENCADEIA A FIBROMIALGIA?

Diversos fatores, isolados ou combinados, podem desencadear a fibromialgia. Entre eles estão:

  • Estresse físico ou emocional

  • Doenças graves ou prolongadas

  • Alterações hormonais

  • Traumas físicos (como acidentes)

  • Infecções virais ou bacterianas

  • Distúrbios do sono

  • Predisposição genética


Esses fatores podem alterar o funcionamento do sistema nervoso central, levando à amplificação da dor e ao surgimento dos sintomas da fibromialgia.

 

COMO SE TRATA A FIBROMIALGIA?

O tratamento da fibromialgia é multidisciplinar e individualizado, envolvendo:

  • Medicamentos para reduzir a dor e melhorar a qualidade do sono

  • Exercícios físicos para fortalecer a musculatura e melhorar a capacidade cardiovascular

  • Técnicas de relaxamento, como yoga, meditação e respiração profunda

  • Psicoterapia para lidar com o estresse, ansiedade e depressão

  • Educação sobre a doença, para que o paciente compreenda sua condição e participe ativamente do tratamento


Medicações

O tratamento medicamentoso da fibromialgia pode incluir:

  • Anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs): usados para aliviar a dor, embora nem sempre sejam eficazes.

  • Antidepressivos tricíclicos e inibidores da recaptação de serotonina: ajudam a melhorar o humor, reduzir a dor e melhorar a qualidade do sono.

  • Relaxantes musculares: podem ser úteis para aliviar a tensão muscular.

  • Medicamentos para melhorar o sono: como certos sedativos leves.

  • Anticonvulsivantes: em alguns casos, são usados para modular a dor.


⚠️ Efeitos colaterais podem ocorrer, como sonolência, ganho de peso, boca seca, entre outros. O tratamento deve ser sempre acompanhado por um profissional de saúde.


Exercícios e Terapia Física

A prática de exercícios físicos e a fisioterapia são fundamentais no tratamento da fibromialgia.


Os benefícios incluem:

  • Melhora do bem-estar geral

  • Aumento da resistência física

  • Redução da dor

  • Melhora da flexibilidade

🔹 É importante que o programa de exercícios seja individualizado e iniciado gradualmente, respeitando os limites do paciente.

🔹 Atividades recomendadas incluem:

  • Caminhadas leves

  • Alongamentos

  • Hidroginástica

  • Exercícios aeróbicos de baixo impacto

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