Memória, a esquecida
- Dr. Eduardo Arantes

- 25 de mar.
- 2 min de leitura
Alois ALZHEIMER, psiquiatra e patologista, nascido em 1864 na Alemanha descreveu a doença que leva seu sobrenome. Foi uma grande descoberta. Hoje, com todos os recursos médicos disponíveis, o diagnóstico da doença ainda é difícil e complexo.
Meus pacientes se queixam muito de esquecimento. Vou dar uma boa dica que aprendi. Se você esquece a chave do carro com frequência, mas quando a encontra pega seu carro vai e volta ao seu compromisso, tudo bem. Mas quando você encontra a chave e não sabe qual é a sua utilidade, procure um neurologista com urgência.
Só para falar um pouquinho mais sério. O combate à doença ainda é muito limitado. Nos estágios iniciais, o tratamento consiste na combinação de estímulos cognitivos (exercícios para memória) e medicamentos. Nos estágios finais, o parente mais próximo será tratado pelo doente como um estranho. O sofrimento para todos da família é muito grande.
DICA: continue a ter projetos pequenos ou grandes.
O diagnóstico de Alzheimer infelizmente ocorre quando já há comprometimento das funções cognitivas. Um estudo realizado pelas Universidades da Pensilvânia e Rush, nos EUA, mostrou relação entre a perda da capacidade de sentir cheiros familiares, como os de canela, banana ou limão e o aparecimento da doença, alguns anos mais tarde. Fora isso, somente consultas regulares poderão evidenciar algum sinal ou sintoma da doença.
DICA: Tenha prazer nas atividades do dia-a-dia.
Exercício físico, boas noites de sono e diversão são excelentes para a memória. Cuidado com a obesidade e o excesso de informação, inimigos da boa memória. O excesso de TV também é um veneno (escrevi um capítulo chamado “TV e Demência” em um dos meus livros) e faça atividades que estimulem o cérebro.
Temos muito medo do esquecimento. Esquecer datas de aniversário e casamento é um perigo para a estabilidade emocional do casal. Há um personagem de Borges chamado Funes, o memorioso, que nada esquecia. Já imaginou que horrível. Não esquecer mágoas, preocupações, briguinhas do dia-a-dia. Esquecer é prova de grandeza. Esquecendo, tornamo-nos pessoas melhores.




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