Quem faz atividade física é menos doente?
- Dr. Eduardo Arantes

- 6 de mar.
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O sedentarismo é antifisiológico para todos os sistemas que compõem o organismo, levando a um funcionamento não eficiente de seus órgãos. Há uma nítida relação entre a inatividade física e o aparecimento de doenças, como hipertensão arterial, arteriosclerose, osteoporose (1). A atividade física regular é um componente importante no estilo de vida saudável, mas ela é particularmente importante para aqueles com maior risco de doenças crônicas como o diabetes não insulino-dependente (Tipo I), a hipertensão (pressão alta) e o colesterol alto (a hiperlipemia) (2).
Nas regiões em desenvolvimento, incluindo o Brasil, à medida que suas economias se industrializam, as doenças crônico-degenerativas, como o diabetes mellitus, hipertensão arterial e a aterosclerose (“entupimento” das artérias), tornam-se mais prevalentes, principalmente pela adoção de um estilo de vida ocidentalizados, caracterizados por maiores índices de sedentarismo, acompanhados de dietas com mais gorduras e menos fibras (3).
Em geral, as mulheres têm os seguintes benefícios em relação à saúde por meio da atividade física: menor risco de doença coronariana e de derrame, menor risco de câncer de mama e de colo e, possivelmente, de vários outros tipos de cânceres ginecológicos, diminuição do risco de diabetes, diminuição do risco de osteoporose, controle do peso em longo prazo, aumento do bem-estar psicológico, diminuição do risco de hipertensão arterial sistêmica e melhoria do perfil lipídico (4). O impacto sobre a atividade física e outros fatores de risco, identificados em 32 estudos e selecionados para a população feminina encontrou efeitos significantes, embora modestos, sobre IMC, pressão arterial, colesterol total e LDL. Esses resultados se mostraram mais efetivos em mulheres com mais de 50 anos (5).
Pessoas com maior capacidade física apresentam redução do risco de morte independente de outros fatores de risco. A coorte conhecida como Canadian Health Survey, que por 7 anos acompanhou 31.668 homens entre 30 e 69 anos de idade, mostrou que os que referiram menor capacidade física tiveram maior risco relativo de mortalidade por todas as causas, da ordem de 2,7 com IC 95% entre 1,4-5,5 (6).
A influência da atividade física sobre a saúde relacionada com a Qualidade de Vida (QV), principalmente em enfermidades como o diabetes em adultos e idosos, doenças cardiovasculares (hipertensão, infarto do miocárdio e angina), doenças pulmonares (doença pulmonar obstrutiva crônica, enfisema, bronquite, asma, transplante pulmonar e doença respiratória crônica) e artrites (artrite reumatoide, osteoartrite e fibromialgia). Os autores também analisaram trabalhos que apresentam evidências indiretas de influência da atividade física sobre a saúde relacionada com a QV, e estes indicam efeitos positivos do exercício sobre sintomas relacionados a estados de tensão e ansiedade, além de efetiva redução do estado de depressão. Esta conclusão se aplica tanto a homens quanto a mulheres de várias idades, independentemente do estado de saúde (7). A posição do Colégio Americano de Medicina Esportiva sobre o exercício diverge para idosos e adultos jovens. No caso de adultos jovens o exercício é recomendado para a prevenção de doenças cardiovasculares, câncer e diabetes e para aumentar a expectativa de vida. Já para os idosos espera-se que o exercício e a atividade física possam combater a fragilidade e a vulnerabilidade causadas pela inatividade, minimizar as mudanças biológicas do envelhecimento, reverter a síndrome do desuso, controlar as doenças crônicas, maximizar a saúde psicológica, aumentar a mobilidade e a atividade locomotora e auxiliar na reabilitação de agravos agudos e crônicos (8).
A inatividade física em pacientes com múltiplas doenças crônicas, como hipertensão arterial, doença coronariana, diabetes mellitus ou dislipidemia, está associada a aproximadamente 2 vezes o risco de morte por todas as causas quando comparados a um mínimo de 30 minutos por dia de atividade física (9). A saúde e a aptidão física estão relacionadas com a prevenção da maioria das doenças: doença coronariana, AVC (acidente vascular cerebral), câncer, AIDS, obesidade, hipertensão arterial sistêmica, cirrose, diabetes, acidentes, osteoporose e risco de morte prematura (4).
A atividade física regular foi adicionada em 1996 à lista de medidas preventivas defendidas pela American Cancer Society. Existem evidências crescentes que a inatividade física contribui para o desenvolvimento de câncer, especialmente o de colo, mama e próstata e, talvez, para alguns cânceres genitais femininos (p. ex., uterino).
Atletas possuem maior densidade óssea dos que os controles sedentários. Atividades como esportes de equipe, corrida e esportes com raquete nas quais o peso do corpo é sustentado pelos pés e pernas durante os movimentos enérgicos, são mais eficazes na manutenção da densidade dos ossos perna e da coluna. A maioria dos estudos demonstrou que os exercícios de amplitude dos movimentos articulares visando a flexibilidade, os exercícios de reforço muscular e os exercícios de aptidão física são seguros e eficazes para pacientes com osteoartrite, artrite e artrite reumatóide. Apesar de numerosas causas e fatores de risco que foram relacionados à lombalgia, a maior parte de atenção foi dirigida considerando-a um subproduto da aptidão músculo esquelética deficiente (4).
Apesar de o exercício poder desencadear a asma, os benefícios provenientes de sua prática regular são tão importantes que a maioria dos especialistas em asma considera que ele deve ser incluído como parte importante da estratégia do tratamento de asmáticos. Durante o exercício moderado, ocorrem várias alterações positivas nos sistema imunológico. Embora ele retorne aos níveis pré-exercício muito rapidamente após o termino da sessão, cada nova sessão representa um auxílio que parece reduzir o risco de infecção em longo prazo. As pessoas que praticam exercício apresentam menos resfriados do que as sedentárias. As alterações imunológicas positivas se devem ao fato de que os hormônios do estresse, que podem suprimir a imunização, não se encontram elevados durante o exercício moderado. O exercício moderado pode diminuir o risco de infecção enquanto o intenso pode aumentá-lo (4).
Em geral, aqueles que se exercitam regularmente parecem adormecer mais rapidamente e dormir mais profunda e longamente do que aqueles que evitam os exercícios (4).
Quer ficar longe das doenças? Faça, promova e incentive a atividade física.
Invista em bem estar!
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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
1. GONZALEZ-ALONSO J.; CALBET J. A. L. Reductions in systemic and skeletalblood flow and oxygen delivery limit maximal aerobic capacity in humans. Circulation; 107.
2. American College of Sports Medicine. Guidelines for graded exercise testing and prescription. Philadelphia: Lea & Febiger.
3. POPKIN, B. M. The nutrition transition in low-income countries: an emerging crisis. Nut Rev 52 (9).
4. NIEMAN, D. C. Exercício e Saúde: como se prevenir de doenças usando o exercício como seu medicamento. 1. ed. – São Paulo: Manole.
5. WILCOX, S ET AL. Nutrition and physical activity interventions to reduce cardiovascular disease risk in health care settings: a quantitative review with focus a womwn. Nutr Rev 59(7).
6. ARRAIZ, G.A. ET AL. Risk assessment of physical activity and physical fitness in tehe Canadian Health Survey mortality follow up study. J clin Epidemiol 45(4).
7. ANDRESEN, E. M. & MEYERS, A. R. Health related quality of life outcomes measures. Arch. Phys. Méd. Rehabil 81 (2).
8. SPIRDUSO, W.W. & CONIN, D.L. Exercise dose-response effects on quality of life and independent living in older adults. Med. Sci. Sports Exerc., 33 (6) Suppl.
9. MARTINSON, B. C. ET AL. Physical inactivity and short-term all-cause mortality in adults with cronic disease. Arc Intern Med 161 (9).




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